segunda-feira, 27 de julho de 2015

O que Jesus disse sobre sua vinda?







Sobre o universo existem muitas teorias. Astrônomos, Cientistas, o Governo e a população de modo geral divergem entre si. Algumas vezes convergindo apenas em parte, ou até mesmo em nada.


Algumas teorias em parte batem com o que a Bíblia afirma, os cristãos concordam plenamente que Deus criou os céus e a terra e o que conhecemos da vida nela, após criar os seres viventes também criou o homem, e este não é permanente em sua existência: nasce cresce e morre. Isto porquê, segundo a Bíblia Sagrada, o homem foi criado para servir ao seu Criador e não para ser uma criação caída e servir de escravo ao pecado: obra de Satanás; anjo caído que deixou sua habitação por causa de suas pretensões contrárias a Deus que o criou. O pecado levará a humanidade rebelada à rebelião final, aí sim, a natureza descansará. A Bíblia diz que o lago de fogo é a estação definitiva da obra se Satanás, a segunda morte, o fim do pecado.

Deus providenciou seu filho como meio para resgatar o homem entregando-o ao mundo, exatamente para que todo aquele que nele crê, seja levantado da morte, mas quem não crer, permanece sob a ira de Deus. (João 3:36)

Deus é irado contra o mal que o homem contraiu por aceitar a proposta da serpente no Éden, por isso o pecado foi condenado na carne, esta é a causa de Deus fazer-se carne propositalmente para desfazer o pecado, através da morte de Cristo, o homem que crer em Jesus será salvo e viverá pela fé(Habacuque 2.4) (Gálatas 3.11).

1-As promessas deixadas por Jesus
Jesus falou para seus discípulos que voltaria para levar os seus. Disse ele; "E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também." (João 14.3) Jesus manifestou aos discípulos que virá buscá-los, e em outra ocasião deu informações referentes a sua vinda. Essas informações dizem como será o comportamento do mundo desde seu retorno para o céu, até que ele venha para levar os que o amam e guardam a sua palavra, esperando o Libertador dos filhos de Deus, “Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus. Na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus”. (Rm 8.19,21)

Jesus foi interrogado por seus discípulos no Monte das Oliveiras em função do que disse quando eles lhe mostram o Templo que estava muito lindo. Ele interagiu dizendo: “não ficará pedra sobre pedra”, eles queriam saber sobre isto, e mais ainda: “E, estando assentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: Dize-nos, quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo”? É necessário antes saber que os discípulos haviam admirado a estrutura e beleza do Templo, e Jesus lhes havia dito que o Templo seria derrubado, e não ficaria pedra sobre pedra (Mt 24.3; Mc 13.3; Lc 21.5). A expressão “essas coisas” é referente ao que Jesus lhes havia dito a respeito do Templo. Em outras palavras: quando aconteceria a destruição do Templo que Herodes havia reformado, do qual Mateus fala da estrutura, Marcos das pedras e estrutura, e Lucas da beleza das formosas pedras e dádivas que ornamentavam o Templo. Jesus explica o tempo que “essas coisas” deveriam acontecer com o sinal mais perfeito possível para eles entenderem, e foi além dizendo como deveriam salvar suas vidas da morte durante os acontecimentos que alcançariam ainda aquela geração (Mt 24.15-22 Mc 13.14-20 Lc 21.20-24). Se Mateus e Marcos não são claros em suas informações quanto ao tempo e fatos, Lucas não deixa dúvidas sobre a que tempo e realizações essas informações fazem referência.

Os cristão resolveram escapar  fugindo para Pela, na Cisjordânia, enquanto o general Tito organizava o cerco final à santa cidade. Aquele dia era sábado 09 de Av no calendário hebraico, dia 25 de julho do ano civil, de 70 da era cristã, sobre o qual Jesus havia dito: Orai para que a vossa fuga não se dê no inverno, nem no sábado. Entre si haviam concordado que não pegariam em armas para se defenderem,  antes deviam aceitar o que Jesus  dissera no Sermão do monte (Dn 9.24 e Mt 24.15,16,20).

Após uma cuidadosa leitura em Lucas 21.20-24, não haverá quem, em sã consciência, possa dizer que Jesus falava unicamente do tempo de sua futura vinda, e não também, da queda de Jerusalém com o seu suntuoso Templo, ocorrida no ano 70 da era cristã, pelas forças romanas. Em função dos acontecimentos, os judeus foram espalhados para todas as nações como disse Jesus em Lucas 21.24, forçadamente, deixando sua terra em mãos dos gentios em prejuízo do direito de habitarem nela como cidadãos nativos que eram, restando-lhes somente o futuro direito de a possuírem como sua Pátria novamente nas dimensões do que disseram os profetas na Bíblia Sagrada (Is 66.8). Cumpre-se cabalmente a profecia de Jesus, no sermão profético e em Lucas (Lc 13. 34,35) “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha os seus pintos debaixo das asas, e não quiseste? Eis que a vossa casa se vos deixará deserta. E em verdade vos digo que não me vereis até que venha o tempo em que digais: Bendito aquele que vem em nome do Senhor.”. Portanto, não há mais espaço para outro cativeiro de Israel, além deste: o da Diáspora, tendo em vista que a Bíblia não menciona dois retorno de Israel para sua terra depois de voltar à Jerusalém vindo do cativeiro de Babilônia. Haverá uma terceira matança (Is 10.22; Ez 21.14; Ez 28.25,26), mas dessa vez não existirá cativeiro, porém, os que restarem habitarão
seguros.

Na revelação de João, em Apocalipse 13.10, está escrito que no governo da besta haverá cativeiro para os que escaparem, foi exatamente o que aconteceu quando Jerusalém, o templo e a nação de Israel caíram. Os que conseguiram escapar da espada romana se refugiaram em todas as nações do mundo. O profetizado retorno de Israel à sua terra é o regresso do cativeiro originado com a queda de Jerusalém no ano 70 dC. A besta foi o governo romano. O Apocalipse diz que a besta que impôs o cativeiro foi a que subiu do mar, confirmando a profecia de Daniel. Ele escreveu o que viu dizendo: “Eu estava olhando na minha visão da noite, e eis que os quatro ventos do céu agitavam o mar grande. E quatro animais grandes, diferentes uns dos outros, subiam do mar.” (Impérios: babilônico; medo-persa; grego e romano) Dn 7.2,3. Em Daniel 9.24 não deixa dúvidas de que as setenta semanas profetizadas por Daniel fecharam-se no ano 70 da era cristã, sobre Jerusalém e Israel. Sobre o que escreve o profeta: “Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para cessar a transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniquidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santíssimo”, fato confirmado em Lucas 4.16-20. Jesus, o próprio Santíssimo, declarou em Mateus 24.15-22, Marcos 13.14-20 e Lucas 21.20-24 que se tratava da entrega de Jerusalém aos gentios até os tempos desses se completarem. Em outras palavras, até ao tempo da vinda de Jesus (Lc 21.24).

1.1-A primeira parte da pergunta dos discípulos
Jesus antes de começar a responder a pergunta dos discípulos, como o Bom Pastor, alerta-os para não se enganem e nem se deixem enganar (Lc 21.8). Jesus conhece todas as coisas, sabe que o homem é suscetível ao engano, podendo ser ludibriado pela ignorância, indução ou por outro meio, como por exemplo: o descuido com a leitura da palavra de Deus, muitos que se declaram cristãos não têm o hábito de ler a palavra de Deus, esses talvez não possam resistir ao poder do engano dos últimos tempos. Esta advertência é para todos os que se entregam a servir a Deus.

Em Mateus 24.5-8 Jesus diz: “muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos. E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim. Se levantará nação contra nação, e reino contra reino, haverá fomes, pestes, e terremotos, em vários lugares. Mas todas estas coisas são o princípio de dores.”.

A lista de sinais acima dada aos judeus como antecedentes à queda de Jerusalém foi para que eles pudessem identificar a aproximação dos fatos preditos com antecedência por Jesus, e pudessem atender as formas de salvarem suas vidas, nela informadas.

Os vv 9,10 de Mateus 24, são referentes à perseguição iniciada com a morte de Estevam, e daí por diante todos os apóstolos foram perseguidos e mortos com a exceção de João (o evangelista) que sofreu prisão e até onde se sabe, não foi assassinado, (o evangelista). O Senhor Jesus, olhando para os doze disse a todos: “vos hão de entregar para serdes atormentados, e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome. Nesse tempo muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se odiarão.”.

1.2-Segunda parte da pergunta dos discípulos de Jesus
Deixando para trás o tempo da perseguição à Igreja primitiva, Jesus começa a falar dos sinais futuros na vida da Igreja, através dos séculos. Eles culminarão com a vinda de Jesus com os anjos, na glória de Deus, para julgar as nações e galardoar sua Igreja com a vestimenta da imortalidade arrebatando-a para junto de si, como declara Jesus sua vontade em João 17. 24: "Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo." .

Jesus relaciona os sinais a seguir, relatados por Ele nos vv. 11-14 e 23- 28 de Mateus Cap.24, como antecedentes da sua vinda para julgar as nações eliminando os poderosos da terra e livrando o seu povo (a Igreja) da corrupção, revestindo de incorruptibilidade e introduzindo-o na sua Glória, eternamente como é a sua vontade, porém, antes acontecerá isto que ele mesmo disse: “E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará. Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo. E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim.

Então, se alguém vos disser: Eis que o Cristo está aqui, ou ali, não lhe deis crédito; porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos. Eis que eu vo-lo tenho predito. Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto, não saiais. Eis que ele está no interior da casa; não acrediteis. Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do homem. Pois onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão as águias.”. Diz o profeta Naum no cap. 1.15 “Eis sobre os montes os pés do que traz as boas novas, do que anuncia a paz! Celebra as tuas festas, ó Judá, cumpre os teus votos, porque o ímpio não tornará mais a passar por ti; ele é inteiramente exterminado.”.

Jesus disse que os dias antecedentes à sua vinda serão semelhantes aos anteriores ao dilúvio. Apesar de ouvirem Noé dizer que Deus estava prestes a destruir aquela humanidade com águas, ninguém acreditava e nem ao menos viam indício disto acontecer: Noé e sua família para eles eram apenas delirantes.

Os dias próximos ao da vinda de Jesus não demonstrarão praticamente diferença dos atuais, referente a este assunto, no mundo moderno, entre as nações,  evangelista Mateus nos adverte (Mt 24 37-39). Para Israel não será necessariamente assim: as nações estarão cercando a cidade de Jerusalém, como profetizou em Ezequiel 38.2-6, 15-19, 22,23 “Filho do homem, dirige o teu rosto contra Gogue, terra de Magogue, príncipe e chefe de Meseque, e Tubal, e profetiza contra ele. E dize: Assim diz o Senhor DEUS: Eis que eu sou contra ti, ó Gogue, príncipe e chefe de Meseque e de Tubal; e te farei voltar, e porei anzóis nos teus queixos, e te levarei a ti, com todo o teu exército, cavalos e cavaleiros, todos vestidos com primor, grande multidão, com escudo e rodela, manejando todos a espada; persas, etíopes, e os de Pute com eles, todos com escudo e capacete; Gômer e todas as suas tropas; a casa de Togarma, do extremo norte, e todas as suas tropas, muitos povos contigo. Virás, pois, do teu lugar, do extremo norte, tu e muitos povos contigo, montados todos a cavalo, grande ajuntamento, e exército poderoso, E subirás contra o meu povo Israel, como uma nuvem, para cobrir a terra. Nos últimos dias sucederá que hei de trazer-te contra a minha terra, para que os gentios me conheçam a mim, quando eu me houver santificado em ti, ó Gogue, diante dos seus olhos. Sucederá, porém, naquele dia, no dia em que vier Gogue contra a terra de Israel, diz o Senhor DEUS, que a minha indignação subirá à minha face. Porque disse no meu zelo, no fogo do meu furor, que, certamente, naquele dia haverá grande tremor. E contenderei com ele por meio da peste e do sangue; e uma chuva inundante, e grandes pedras de saraiva, fogo, e enxofre farei chover sobre ele, e sobre as suas tropas, e sobre os muitos povos que estiverem com ele. Assim eu me engrandecerei e me santificarei, e me darei a conhecer aos olhos de muitas nações; e saberão que eu sou o SENHOR”.

O cerco a Jerusalém naquele dia será o fato que fará a diferença de Israel em relação às demais nações do mundo, que à distância verão muitas nações empenhadas em destruir o povo judeu que não terá forças para salvar-se, mas será solvo milagrosamente pelo Senhor em sua vinda gloriosa.

1.3-Terceira parte da pergunta dos discípulos de Jesus 
Após Jesus falar dos sinais calamitosos menciona que a natureza sofrerá grandiosas alterações e os céus manifestarão grande revolta devido aos feitos da humanidade na terra, a qual será incapaz de reter nela, ainda, os filhos de Deus, pois todos serão ceifados (arrebatados) pelos anjos do Senhor, porém os ímpios, antes dos justos, serão ceifados (mortos) na vinda do Senhor Jesus. Os justos subirão ao encontro do Senhor, como diz Paulo e os mansos herdarão a terra como disse o próprio Jesus no sermão da montanha ( Mt 5.5).

Segundo o apóstolo Paulo: “E a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder, como labaredas de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo; os quais, por castigo, padecerão eterna perdição, ante a face do Senhor e a glória do seu poder, quando vier para ser glorificado nos seus santos, e para se fazer admirável naquele dia em todos os que creem (porquanto o nosso testemunho foi crido entre vós).

Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, e pela nossa reunião com ele, que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto. Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, o qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus. Não vos lembrais de que estas coisas vos dizia quando ainda estava convosco? E agora vós sabeis o que o detém, para que a seu próprio tempo seja manifestado. Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que agora resiste até que do meio seja tirado; e então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda; (II Ts 1.7-10; 2.1-8). Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados (I Co 15:52). Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro (I Tes 4:16) depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor (I Tes 4:17)”. João em Apocalipse fala: “Mas nos dias da voz do sétimo anjo, quando tocar a sua trombeta, se cumprirá o segredo de Deus, como anunciou aos profetas, seus servos." (Ap 10:7).

Na visão do Apocalipse, o que Jesus revelou a João não altera nada do que Ele disse no sermão da montanha sobre sua vinda. Esses são os sinais mais pesados de todos: “E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória. E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus.”.

É impossível fechar este assunto com outras palavras que não sejam estas do apóstolo Paulo e do próprio Senhor Jesus Cristo: "Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, Jesus disse-lhes: Acautelai-vos, que ninguém vos engane; “(II Ts 2:3; Mt 24.4).

Jesus manifestou aos doze discípulos seu desejo de ter junto de si os que creem em sua palavra, e passa a dizer-lhes: “tenho de voltar para meu Pai, mas não vos deixarei sós, voltarei para vós”. E acrescenta dizendo: “E rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador. Ainda um pouco, e o mundo não me verá mais, mas vós me vereis; porque eu vivo, e vós vivereis. Aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele”.

Judas (não o Iscariotes) sem compreender o que Jesus dizia, disse; SENHOR, de onde vens que te hás de manifestar a nós, e não ao mundo? Isto, por que ele não compreendia que Jesus falava de sua manifestação através do outro Consolador (o Espírito Santo) que haveria de vir e ficar com eles: aquele que o mundo não o ver e nem pode receber, por que não crer.

Muitos como Judas, dizem que Jesus está dizendo é que virá buscar sua Igreja e o mundo não tomará conhecimento disto imediatamente. Negando assim, que Jesus mesmo disse que sua vinda será vista por todos no mundo inteiro, quando estiver nas nuvens do céu. Mateus, Marcos e Lucas escreveram isto.

O profeta Isaias diz no capítulo 52.8-10: “Eis a voz dos teus atalaias! Eles alçam a voz, juntamente exultam; porque olho a olho verão, quando o SENHOR fizer Sião voltar. Clamai cantando, exultai juntamente, desertos de Jerusalém; porque o SENHOR consolou o seu povo, remiu a Jerusalém. O SENHOR desnudou o seu santo braço perante os olhos de todas as nações; e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus.”.

Apocalipse 1.7 diz: “Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos que o transpassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim. Amém”.

Jesus quando disse que se manifestaria a eles, referia-se à vinda do Espírito Santo, pelo qual estaria com eles para sempre, e não da sua vinda para tomar seu povo deste mundo para está com ele para sempre.



Ninguém pode dizer que Paulo não foi revelado por Jesus sobre o que escreveu a respeito da vinda de Jesus aos coríntios e aos tessalonicenses. A Bíblia não fala de um arrebatamento da Igreja antecipado ao dia da vinda de Jesus, em sete, ou três anos e meio, devemos crer no que o próprio Jesus disse ensinando a todos.



Estejamos atentos ao que a Bíblia diz, e não o que dizem por ouvir de outros que também não leem a Escritura Sagrada sistematicamente. Examinemos nós mesmos a palavra de Deus, assim fizeram os bereanos, comparando o que ouviam com as santas Escrituras, dia após dia (At 17.11). Não devemos nos esquecer de que Jesus disse: “Vede que ninguém vos engane” (Mt 24.4)!
Que Deus nos abençoe e nos guarde. Assim seja, amem.


Min. do Evang. Domingos Teixeira Costa


 


 
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segunda-feira, 8 de junho de 2015

Feliz Belém do Pará! Mais

 
 
 
       Feliz Belém do Pará! Mais do que uma saudação para a aniversariante, poderia ser esse o nome da cidade de Belém do Pará. E, se tal não ocorre, de fato, pelo menos lhe dá direito à nomenclatura o decurso da sua rica história: seus bravos que nela e por ela lutaram, seu povo simples que lhe deu diversidade de contornos sociais, os artistas que lhe encheram a alma de lirismo e poesia, a exuberância e beleza da natureza que lhe cinge solenemente. E, além disso, o que pode tornar a cidade uma Feliz Belém é a ação amorosa do próprio Deus na sua gloriosa história, que lhe abençoou com tudo isso, e muito mais, pois também lhes enviou mensageiros que proclamaram em suas plagas a verdade do Evangelho de Jesus Cristo e compartilharam as bênçãos decorrentes da obediência de Seus abençoadores preceitos.
E por que Feliz Belém? Porque a cidade de Belém do Pará não nasceu por acaso, antes foi fruto de uma estratégia de conquista, por parte de Portugal, que visava à conquista da foz do Rio Amazonas, fundamental para a defesa da Amazônia pela Coroa portuguesa. Assim, o estabelecimento do núcleo populacional da cidade remonta à época em que foi escolhido o ponto estratégico para se estabelecer a defesa desse território, quando foi fundado, em 12 de janeiro de 1616, o Forte do Castelo do Senhor Santo Cristo do Presépio de Belém, atualmente conhecido como Forte do Castelo.
O povoado que se formou ao redor do forte foi denominado, inicialmente, de Feliz Lusitânia; sendo depois chamado de Santa Maria do Grão Pará e, finalmente, Belém do Pará. Poderia, sim, ser Feliz Belém do Pará, porque começou com o nome de Feliz Lusitânia, tem uma história relativamente feliz, e todos nós que a amamos também esperamos, tenha um futuro glorioso de uma Belém que tem tudo para ser realmente Feliz!
Feliz Belém, Feliz Belém, Feliz Belém. Parece-nos o som do badalar de um sino chamando as gentes, os grandes e os pequenos, os ricos e os pobres, os doutos e os ignorantes, homens e mulheres, dizendo que todos são benvindos a uma grande e apoteótica celebração em gratidão a Deus pelo seu aniversário.
Feliz Belém, Feliz Belém, Feliz Belém. Tal como o badalar do sino de uma igreja que testemunhou sua história, aponta também para os grandes desafios que a cidade superou e aos muitos avanços que conseguiu. Isso nunca seria alcançado sem a abundante graça que o Senhor Deus dispensou a esta cidade ao longo de sua gloriosa história, na qual Deus sempre manifestou a Sua bondosa presença, com graça e misericórdia, abençoando e preservando, brilhando o sol e derramando chuvas sobre bons e maus, justos e injustos... porque Ele é bom e deseja a todos uma Feliz Belém.
Feliz Belém, Feliz Belém, Feliz Belém! Esse é o badalar da alma de um povo, cuja sonoridade latente procura responder a uma chamada de Deus, que lhe concedeu o maior-presente-de-todos, o Seu Filho Jesus Cristo; e também lhe deu a presença salutar da Igreja, que é o corpo de Cristo, composta de todos os fiéis servos de Jesus Cristo, que representam em seu seio uma verdadeira reserva moral e espiritual, como “sal da terra e luz do mundo”, tudo para lhe servir e aos seus filhos, apontando-lhes o caminho da fé, da esperança e do amor.
Feliz Belém, Feliz Belém, Feliz Belém! Esse é o badalar do coração do povo de Deus, que orou, ora e continuará orando pelo bem da cidade. Esse é também o doce som de uma proclamação que reconhece como Deus enviou a esta cidade Seus dois humildes servos, Gunnar Vingren e Daniel Berg, em 19 de novembro de 1910, e como esta lhes foi acolhedora e os recebeu de braços abertos. Pela providência divina, esses dois homens fundaram a Assembleia de Deus, em 18 de junho de 1911, essa mesma Igreja Centenária que hoje te saúda.
Feliz Belém, Feliz Belém, Feliz Belém! Esse é o badalar da mensagem de que Belém é “casa de pão”, uma padaria, pois este é o significado do original hebraico do seu nome. Assim, é Feliz Belém porque foi escolhida não somente para ser o berço do movimento pentecostal brasileiro, mas também, como uma “padaria” que produz “pão espiritual”, continuar gerando e enviando seus filhos fiéis a Deus para levarem o “pão do Céu” a muitos outros povos e nações do mundo.
Feliz Belém, Feliz Belém, Feliz Belém! É como o badalar de um sino que reverbera a proclamação indomável da mensagem alvissareira que foi dada a Belém da Judéia, sua Xará oriental, de que Jesus havia nascido para trazer a Salvação, ali e aqui, e para o mundo todo.
Feliz Belém, Feliz Belém, Feliz Belém! É o badalar de um brado retumbante da poderosa mensagem de que Deus continuará amando a essa cidade e ao seu povo, promovendo no seu meio a verdadeira Paz entre os homens a quem quer bem.
Feliz Belém, Feliz Belém, Feliz Belém! É mais que o badalar de um sino, é o nosso sincero modo de dizer parabéns pelos 399 anos de sua abençoada existência.
Feliz Belém, Feliz Belém, Feliz Belém! Esse é o eco de 399 badaladas no templo de cada coração daqueles que verdadeiramente te amam.
 
Samuel Câmara
Pastor da Assembleia de Deus em Belém







sexta-feira, 22 de maio de 2015

A Reforma de que precisamos

 
 
 
 
Um obscuro monge chamado Martinho Lutero, em 31 de outubro de 1517, afixou um documento composto de 95 teses na porta da Catedral de Wittemberg, na Alemanha, no qual conclamava a Igreja a voltar à obediência da Palavra de Deus e às práticas evangélicas da Igreja Primitiva, conforme constam nas Sagradas Escrituras. Esse evento simples, normalmente utilizado por aqueles que queriam discutir publicamente alguma proposta acadêmica de cunho bíblico ou teológico, tomou um volume descomunal, até que desencadeou o que conhecemos historicamente como a Reforma Protestante.
Ressalvo que não tenho a pretensão de polemizar com os cristãos católicos, a quem respeito e amo no amor de Jesus. Mas gostaria de considerar, com a ênfase que o caso requer, que a Reforma só aconteceu porque a Igreja estava espiritualmente em decadência, pois se distanciara muito da pureza do Evangelho. Naquele tempo, a Igreja preocupava-se mais com as questões políticas e econômicas do que com os assuntos espirituais; ao buscar aumentar ainda mais suas riquezas, vendia indulgências, cargos eclesiásticos e relíquias, tudo como forma de os fiéis adquirirem bênçãos.
A Igreja exercia um controle absoluto sobre os cidadãos, criando e manipulando dogmas que instilavam medo nas pessoas, influenciava governos, controlava a vida de todos. Até que veio a Reforma...
Agora, passados quase quinhentos anos da Reforma Protestante, não seria precipitado afirmar que, em muitos aspectos, precisamos de uma Reforma na Igreja evangélica, que se entende como filha e herdeira da Reforma. Observe-se a atual situação da Igreja evangélica e a pouca influência que produz na sociedade. Basta olhar a situação do Brasil para constatar que falta luz nas densas trevas morais e falta sal para preservar o tecido social da corrupção ética.
Em muitos aspectos, não estamos muito longe da decadência moral e ética que precede uma verdadeira reforma. É bom lembrar que algo precisa de reforma quando se deteriorou, ou tomou curso errado, ou se deformou. Assim, reformar é formar de novo, reconstruir, corrigir, retificar, restaurar. Em suma, reformar é fazer um “movimento para trás”, é levar algo à sua situação original.
Há quase quinhentos anos, foram adotados quatro princípios fundamentais pelos líderes da Reforma, os quais a nortearam e lhe deram consistência.
Primeiro: a fé cristã deve ser baseada nas Escrituras Sagradas, pois nada substitui a autoridade da Bíblia como nossa regra de fé e prática. Nem costume, nem tradição, nem cultura. Segundo: a fé cristã deve ser racional e inteligente, significando que, embora a razão esteja subordinada à Revelação, a natureza racional do homem não pode ser violada por dogmas e doutrinas irracionais.
Terceiro: a fé cristã é pessoal, ou seja, cada crente deve confessar o seu pecado diretamente a Deus, sem a necessidade de um sacerdote humano para perdoar-lhe. A adoração também é pessoal, de modo que os crentes podem ter comunhão com Deus, individualmente. Quarto: a fé cristã deve ser espiritual, não formalista. Isso pressupõe a volta aos princípios evangélicos de simplicidade e pureza, indicando que o crente é santificado pela presença do Espírito Santo em sua vida interior, não pela observância de formalidades e cerimônias externas.
Precisamos de uma Reforma urgente! Precisamos de uma nova Reforma que nos faça voltar à Palavra de Deus, estudá-la, conhecê-la, praticá-la. Quanto mais obedecermos a Palavra de Deus, ainda mais saberemos sobre a vontade de Deus para as nossas vidas e o seu propósito para a totalidade da história, nossa e do Brasil. Precisamos de uma nova Reforma que nos faça retornar ao espírito da primeira Reforma, que evidenciava principalmente a Verdade bíblica como norteadora de todas as áreas da vida. Sem a Verdade da Palavra de Deus não há Reforma que valha o próprio nome.
Precisamos de uma nova Reforma que nos ajude a manter a prática dos elevados valores cristãos com racionalidade e inteligência, sabedores que somos livres em Cristo; portanto, não devemos nos subordinar a critérios religiosos ou políticos que violem a nossa consciência, principalmente na hora de escolher os governantes que respeitem a nossa fé e lutem pela grandeza do Brasil.
Precisamos de uma nova Reforma que eleve em nós o desejo ardente de manter uma vida limpa, priorizando acima de tudo a comunhão com Deus, levando-nos a andar de cabeça erguida, com simplicidade e pureza, no exercício da nossa santa influência social como sal da terra e luz do mundo.
O contexto em que vivemos hoje no Brasil é profundamente preocupante, com um país dividido e em crise. E tal crise tem nome e origem: roubalheira dos cofres públicos, corrupção desmedida no governo, inflação sem controle, economia estagnada, aparelhamento do estado, degradação das instituições democráticas, socialização da pobreza, hipocrisias escabrosas, mentiras e baixarias inomináveis no trato político, risco à liberdade democrática etc.
É também por isso que precisamos de uma nova Reforma que nos ajude a ajudar o Brasil a alcançar a posição que corresponda à sua grandeza e importância.
Devemos ter isto sempre em mente: a Reforma de que precisamos deve ser contínua e crescente, na medida em que nos mantemos abertos e receptivos para que a “multiforme graça de Deus” opere a vontade de Deus na Igreja e em nossas vidas, e isso resulte em benefício para a sociedade brasileira e ajude a tornar o Brasil num país melhor e sempre melhorando.
 


Samuel Câmara
Pastor da Assembleia de Deus em Belém













terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Fazendo diferença entre os indiferentes




 
 
 Uma jovem cristã recém-convertida estava lendo os evangelhos. Quando terminou, disse a seu professor da Escola Bíblica que estaca com uma grande vontade de ler um livro sobre a história da Igreja. Quando o professor lhe perguntou a razão desse grande interesse, a jovem respondeu: “Estou muito curiosa. Queria saber quando os cristãos começaram a ser tão diferentes de Jesus Cristo”.
A perplexidade daquela jovem não nos deve causar estranheza, uma vez que existe realmente uma grande disparidade entre a vida de Cristo e a vida de muitas pessoas que proclamam o Seu nome e se identificam como Seus seguidores, quer sejam chamadas de “cristãos” ou simplesmente “crentes”.  A decorrência óbvia desse fato inconteste é: quanto mais diferente de Jesus Cristo um seguidor Seu se parece, tão mais indiferente à Sua mensagem se tornará e, consequentemente, menos diferença fará no mundo.
Mas quem disse que o cristão tem que ser diferente? Quem se importa que o crente faça diferença no mundo dos indiferentes? A resposta é: Jesus! É exatamente isso que Jesus Cristo espera de Seus discípulos. O primeiro problema, certamente, é que nem todos os que se dizem cristãos ou crentes são verdadeiramente discípulos de Cristo; antes, professam apenas uma religião.
Jesus disse a Seus discípulos: “Vós sois o sal da terra... Vós sois a luz do mundo” (Mt 5.13,14). Isto é uma verdade da qual não se pode fugir, pois faz parte da própria natureza do seguidor de Jesus. A ordem colocada por Jesus, de que um discípulo Seu é primeiro sal e depois luz, tem uma razão de ser. O sal fala do que somos. A luz, do que fazemos. Uma coisa sem a outra é a sua própria negativa.
Como o sal é diferente do material sobre o qual é aplicado, o cristão tem de ser diferente das pessoas do mundo. Como uma pequena quantidade de sal faz uma enorme diferença, um único discípulo também pode fazê-lo. O mundo é essencialmente pecaminoso e mau, semelhante a um pedaço de carne que tende à putrefação. A função do sal é agir como um antisséptico, um transmissor de vida, saúde e preservação, funcionando como impedimento da atuação dos agentes que produzem a putrefação.
Além disso, o sal dá sabor. Sem a presença de Cristo no cristão, e deste no mundo, a vida inteira se tornaria insípida, perderia o sabor. As pessoas do mundo buscam sofregamente os prazeres pecaminosos, mas, ao mesmo tempo, sentem que a vida é enfadonha, sem sentido e sem graça. É por isso que o prazer, nessa perspectiva, vem sempre acompanhado de alguma droga que o potencialize. O seguidor de Jesus, ao contrário, pela sua fé na Palavra de Cristo, carrega em seu coração a fonte da vida, não precisa de droga nenhuma nem de qualquer agenciamento do pecado para ter prazer ou se sentir alegre e realizado.
A despeito de todo o conhecimento científico acumulado, o mundo não se tornou mais “iluminado”; antes, suas trevas continuam cada vez mais espessas. Por isso é que precisa desesperadamente da luz que emana de Jesus e é refletida a partir de cada discípulo Seu.
O primeiro efeito da luz é dissipar as trevas. Desse modo, a presença do discípulo de Jesus faz as pessoas tomarem consciência das trevas espirituais em que se encontram. A luz também explica as causas das trevas. O cristão, ao viver como luz, deixa patente o quanto as pessoas estão distantes e alienadas de Deus. Assim como a luz é inevitável, o seguidor de Jesus, por viver uma vida “diferente”, não pode deixar de ser notado, pois “não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte”.
Como sal da terra, o discípulo de Jesus exerce uma influência de aspecto geral, que tem a ver com a vida toda, pois o seu modo de viver contrasta, por sua excelência, a influência do mal. É uma ação “controladora”, no sentido de que preserva e dá sabor. Como luz, sua influência é mais específica. Quando as pessoas constatarem que há “algo diferente” naquele que segue a Cristo, então quererão saber o motivo. Desse modo, cada discípulo pode se destacar como elemento iluminador, pode falar da excelência da vida cristã e ensiná-las a viver uma vida abundante centrada em Cristo.
A vida do crente em Jesus sempre ofereceu motivos de sobra para o mundo estranhar, seja por seu comportamento diferenciado, ou por suas afirmações verbais a respeito da certeza de salvação eterna. Não é à toa que as pessoas, inclusive não poucos que se intitulam de cristãos, se indignam quando um crente em Jesus se diz “salvo”. Igualmente, é surpreendente o “incômodo” que a presença de um cristão fiel a Jesus causa nos ambientes que frequenta. Se um grupo costuma falar obscenidades, as pessoas se calam ou mudam de assunto à sua chegada, mesmo que este não diga palavra alguma.
Se alguém se diz cristão, mas não age como sal e luz, então é mais provável que cristão não seja. Tentar inverter as coisas, tentar ser primeiro luz sem ser sal, isto é, pregar sem viver, dá na mesma situação que alguém disse a um certo “cristão” nominal: “O que vives fala tão alto que não consigo ouvir o que pregas”.
Assim, quanto mais parecido com Jesus Cristo um cristão se torna, tão mais obediente à Sua mensagem será e, consequentemente, maior diferença fará no mundo.
 
 
 
Samuel Câmara
Pastor da Assembleia de Deus em Belém




Publicação:
D.T.C.




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domingo, 8 de fevereiro de 2015

Conhecendo o Deus que nos conhece




Uma das principais razões de existência da Igreja é tornar o Deus Todo-poderoso conhecido através da pregação do Evangelho, de modo que as pessoas possam manter um relacionamento saudável com este mesmo Deus que pode tudo, está em todo lugar e sabe de todas as coisas e, portanto, nos conhece profunda e intimamente. E isto a Igreja tem de fazer inteiramente de graça, como disse Jesus: “Dai de graça o que de graça recebeste”.
Por isso, parece um absurdo que, em nossos dias, esteja tão em voga todos os tipos de negociatas em nome de Deus, encabeçadas por pessoas que se autodenominam “apóstolo” ou “bispo” ou “pastor” ou “missionário”. Algumas são tão explícitas, como no exemplo de quem tenta vender bênçãos, cuja finalidade é simplesmente auferir lucro financeiro e enriquecimento fácil; e outras nem tanto, mas igualmente perniciosas, dos que infundem as mais diversas fobias e intimidações em nome de Deus, tão somente para manter os “contribuintes” presos a seus grupos religiosos. Esses líderes são capazes de tirar o último centavo dos incautos, mesmo depois esbravejando que o recebimento da bênção dependa exclusivamente da sua cambaleante fé. Se a pessoa não recebeu nada, então é porque a sua fé foi simplesmente fraca ou meramente insuficiente.
Esse tipo de joguete com Deus e com a boa fé das pessoas só prospera porque há um “mercado” crescente de pessoas carentes e frustradas, financeiramente quebradas e espiritualmente desamparadas, que anseiam mudar de vida, mesmo que tenham de pagar caro por isso. Essas pessoas acham que tudo se resolve por meio da oração de um suposto “ungido” e de uma simples troca de favores com Deus, um “toma-lá-dá-cá” que as habilita a ser abençoadas. O fato é que muitas pessoas esquecem que não se pode colocar Deus numa caixinha e manipulá-lo. Elas se esquecem de que Deus mostra ao mundo o Seu poder sobrenatural conforme a Sua própria vontade, não a nossa.
Não é só um erro grotesco fazer negociata de qualquer tipo com Deus, é algo muito mais grave: é brincar com Deus, é demonstrar que não o conhece. Você pode imaginar o Senhor Jesus, ou os apóstolos, prometendo bênção às pessoas em troca de uma contribuição para seus ministérios? Jesus dizia: “De graça recebestes, de graça daí” (Mt 10.8). Paulo afirmava: “Gratuitamente vos anunciei o evangelho de Deus” (2Co 11.7).
Há alguns anos, tomei conhecimento a respeito de um ministro que prometia as bênçãos de Deus a quem estivesse interessado a pagar por elas. Por incrível que pareça, ele oferecia bênçãos divinas por um valor fixo anual, ou parcelado em doze prestações mensais. Se a pessoa viesse a confirmar que suas orações já haviam trazido recompensas financeiras, aquele “ungido” prometia enviar um “Certificado de Bênção”, após receber o primeiro pagamento; e uma “carteira ungida”, com o segundo pagamento. Vale ressaltar que nesse negócio não havia “satisfação garantida ou seu dinheiro de volta”.
Alguns estão dispostos a pagar algum dinheiro para obter bênçãos. Outros pagam de outros modos. Há um número considerável de crentes sinceros e dispostos a crer que se obedecer a Deus completamente – só porque um suposto “homem de Deus” fala “em nome de Deus” –, então o resultado será uma vida mais tranquila, ou mais próspera. E quando assim ocorre, isso é a prova final de que estão cumprindo a vontade de Deus.
Do contrário, se enfrentam obstáculos, ficam propensos a concluir que em suas atitudes corriqueiras não estão cumprindo a vontade de Deus. Em vez de questionarem seus parâmetros, questionam a sua dedicação e, às vezes, a sua própria fé; e quando ficam mais adoecidas ainda, questionam até o próprio Deus.
É um erro acreditar que se alguém obedece a Deus tudo dará certo na sua vida. Deus não remove as dificuldades; antes, as usa para o nosso bem e para Sua glória. Na verdade, servir a Deus significa “andar com Ele”, mesmo quando as coisas dão erradas. Foi o que descobriu o profeta Habacuque que, a despeito das dificuldades enfrentadas, não deixou de confiar no caráter de Deus (Hc 3.17-19). De fato, “sabemos que todas as coisas – boas ou más – cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28).
Saiba que uma coisa é ouvir falar de Deus. Outra é conhecê-lo pessoalmente. Saber que Deus está presente em todo lugar pode ser estarrecedor. Mas estar consciente de Sua presença conosco quando precisamos nos dá conforto e esperança. Pensar que Deus conhece tudo não deixa de ser assustador. Mas saber que nenhum detalhe da nossa vida escapa de Sua amável atenção, nos permite desfrutar a paz que resiste a toda e qualquer provação. Imaginar que Deus pode tudo nos deixa maravilhados com Sua grandeza. Mas confiar que este mesmo Deus opera em nós e através de nós, e sempre para o nosso bem, tem o condão de nos encorajar a descansar confiantemente em Seus braços poderosos.
O mais importante é saber que tudo isso é conquistado mediante a graça de Deus que nos foi revelada através de Jesus Cristo. Pela graça, sem dinheiro e sem preço (Is 55.1). Sendo assim, jamais brinque com Deus; mas procure conhece-lo e amá-lo, servindo-o com fidelidade, sem nenhuma pressão e sem preço algum. E a sua vitória virá no tempo de Deus!


Samuel Câmara
Pastor da Assembleia de Deus em Belém





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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

A verdadeira bússola da vida

 
 
 
Conta-se que um velho marinheiro era contumaz em se perder no mar. Então seus amigos resolveram dar-lhe uma bússola e arrancaram dele o compromisso de usá-la em todas as suas viagens. Quando saiu novamente em seu barco, finalmente ele seguiu o conselho de seus amigos e levou a bússola consigo. Mas, como sempre, ele se confundiu e não conseguiu voltar. Finalmente, depois de alguns dias, foi encontrado e resgatado pelos amigos. Aborrecidos e impacientes, lhe perguntaram: “Por que você não usou a bússola que demos? Teria nos poupado todo esse trabalho!”
O velho marinheiro respondeu: “Eu bem que tentei! Queria ir para o Norte, mas por mais que eu tentasse virar a agulha naquela direção, a bússola só apontava para Sudeste”. O problema é ele estava tão confiante em sua “experiência” no mar e absolutamente certo de saber em que direção ficava o Norte que, teimosamente, tentava impor sua vontade à bússola.
Convém lembrar que, durante séculos, a bússola foi o mais popular e confiável instrumento de localização, principalmente para quem singrava a imensidão dos mares. Hoje, em tempos de tecnologia do sistema de posicionamento global, mais popularmente conhecido como GPS, cuja localização é realizada por satélites na órbita terrestre, a velha bússola está em desuso crescente. Mas em muitos lugares, principalmente aonde essa tecnologia ainda não chegou, ela continua na ordem do dia de guiar os viajantes.
No sentido figurativo, bússola é tudo que serve de guia ou norte. Desse modo, todos nós precisamos de uma bússola para a vida. Precisamos saber a direção que daremos à nossa vida, saber de onde partimos e para onde estamos indo. E se algo der errado no caminho, se falharmos por algum motivo, podemos ter a certeza de saber retornar e começar de novo.
Não são poucas as pessoas que começam, mas não sabem como terminar; partem, mas não sabem como retornar. Como o velho marinheiro, perdem-se em algum lugar no caminho, cometem erros que as atrasam ou inviabilizam sua trajetória. Há também aqueles que sequer sabem para onde seguir. Sem uma bússola confiável, andam a esmo, sem alvos específicos, sem metas claras, de modo que qualquer caminho as levará para lugar nenhum.
Há os que, sob o peso das exigências normais da vida, perdem o compasso e desistem de tentar, deixam de lutar, ficam paralisados diante dos obstáculos, deixam de buscar seus alvos, prendem-se ao passado e, deprimidos, entregam-se às lembranças de conquistas de outrora. Mas há também aqueles que lutam até o fim, começam e terminam, e completam a trajetória com a certeza de que, a despeito das adversidades, deram o melhor de si e chegaram lá.
Que todos precisamos de uma bússola, não se discute. O problema é o tipo de bússola a utilizar. Por isso, posso apresentar a que considero ser a melhor e mais precisa. A Bíblia é a “bússola da vida”, é segura e eficiente, pois aponta um Norte para as nossas vidas: aos desorientados, mostra o rumo certo; aos perdidos, aponta o caminho da salvação em Cristo. Além disso, ela é uma “carta” de amor, do maior amor, o amor de Deus por mim e por você;
A Bíblia é também uma bússola de orientação da nossa interioridade: é o bálsamo que cura as feridas da alma, é o martelo que esmiúça as pedras da dúvida, é a luz que ilumina o nosso ser. Ela é também é o fundamento de nossa fé, pois a “fé vem pelo ouvir e o ouvir pela Palavra de Deus”.
Há pessoas que contemplam a Bíblia a partir de seus graves preconceitos religiosos; e outras, a partir de seu ceticismo. Essas pessoas jamais se tornam capazes de ser positivamente influenciados pela sua mensagem, e acabam rejeitando-a.
Tal como os pescadores que estabeleceram um curso e dirigiram seu barco para águas profundas onde supostamente encontrariam muitos peixes. Todavia, quando ligaram o sonar e se deram conta, estavam a quilômetros do local pretendido, desorientados e sem peixes. Logo descobriram que haviam deixado uma lanterna bem próxima da bússola do barco e o ímã preso a ela acabou afetando o funcionamento da bússola. Assim como aquele ímã mudou a orientação da bússola, um coração comprometido com preconceito ou incredulidade pode influenciar o pensamento e afastar alguém da verdade bíblica.
Muitos dos conterrâneos de Jesus o rejeitaram por causa de sua religiosidade eivada de preconceitos; e resistiram a Ele por causa da ameaça que Ele parecia representar para o status quo garantido por suas tradições religiosas. Assim, em vez de analisarem cuidadosamente as Escrituras, a qual teria confirmado quem era Jesus, eles mesmos determinaram o que preferiam crer... e preferiram rejeitar a Jesus.
Desse modo, procure ler as promessas de Deus contidas na Bíblia, pois elas fornecerão um rumo certo, uma clara orientação sobre como ser um vencedor e ter paz na vida. Antes, porém, procure se despir de suas ideias preconcebidas, de seus preconceitos religiosos; e dispa-se de suas “certezas” que vão de encontro às verdades espirituais reveladas pelo próprio Deus na Bíblia Sagrada. Pois é nela que você terá o verdadeiro pão que alimentará a sua alma, a água que saciará a sua sede espiritual, o mel que o fará enfrentar o mundo sem perder a doçura. Com certeza, em suas palavras você terá a verdadeira bússola da vida!
 
 
Samuel Câmara
Pastor da Assembleia de Deus em Belém





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quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Preciosas lições de uma derrota

 
 
 
Muito já se tratou sobre a última e fragorosa derrota da Seleção Brasileira para o escrete Alemão na Copa do Mundo pelo elástico placar de 7 X 1. Desastre. Vexame. Vergonha. Falou-se, principalmente, que era “um dia para esquecer”, muito embora isso não seja possível. Tanto que uma garotinha de oito anos, sofrendo como as demais crianças brasileiras, ouvindo a repetição dessa frase, emendou: “Como esquecer, se a toda hora só falam nisso?”
De fato, não dá para esquecer, mas dá para tirar algumas preciosas lições. Não quero, porém, me deter sobre possíveis culpados, porque agora isso pouco importa; pois apontar culpados não nos consolará nem fará diminuir a nossa dor. Deixemos isso para os burocratas da bola. Fixemo-nos, portanto, nisso: o que aconteceu virou história, não dá mais para apagar; temos de aprender a conviver com esse fato e tirar dele as lições de que precisamos para seguir em frente.
A primeira grande lição que se pode aprender com uma ruidosa derrota é que, a despeito do baque e da humilhação, a vida continua. Os fracos são aqueles que desistem. Os fortes, depois do atordoamento, após o estado depressivo por ter sido lançado ao chão, sabem que precisam levantar a cabeça e planejar os próximos passos. Ficar revolvendo-se nas cinzas de uma ruína, entregar os pontos, jogar a toalha, desistir de lutar, não importa o clichê que se use, é sempre a pior de todas as escolhas.
É isso que a vida nos ensina. Temos sobejos exemplos de pessoas e também de equipes que superaram grandes perdas porque aprenderam com as derrotas ocasionais (que devem ser apenas isso: ocasionais!) as lições para os embates seguintes e conseguiram tirar força de onde não pensavam que tinham para enfrentar e superar os novos desafios.
Gostaria de evocar o exemplo de um famoso compositor. Filho de pai taberneiro e de mãe fiadora, ele enfrentou muitas adversidades até ser reconhecido como mestre da composição dramática. Embora tenha começado a compor aos nove anos de idade, sua carreira não começou com tanto sucesso. Foi somente no fim da vida que esse reconhecimento lhe foi conferido. Quando jovem, foi rejeitado pelo Conservatório de Milão porque não possuía conhecimento e cultura suficientes.
Depois disso, subitamente sua esposa morre e, posteriormente, seus dois filhos também. Tendo entrado em profunda depressão, num primeiro momento, ele decide abandonar a música para sempre. Mas após dois anos, emerge das sombras e recomeça a compor. Ele obteve tanto sucesso que a sua fama se espalhou pelo mundo. A escola que outrora o rejeitara teve seu nome mudado para Conservatório Verdi de Música.
Refiro-me a Giuseppe Verdi, autor das óperas: Otello, La Traviata, Rigoletto, Il Travatore, Aída, entre outras. Ele tornou-se o maior músico italiano do século XIX. A história de Verdi reflete, em maior ou menor grau, a experiência de muitas pessoas que não se dobraram diante das adversidades, não abandonaram seus sonhos e perseguiram tenazmente suas metas na vida.
       Não é incomum que enganos sejam cometidos a respeito de uma pessoa, ou de uma equipe, achando que acabou, e não mais vencerá. Algumas vezes isso ocorre por ignorância, ou puro ceticismo, ou mera inveja. Alguns, por causa da crítica ácida ou da rejeição temporária, são “abatidos em pleno voo” e, por fim, desistem dos seus sonhos. Outros, por acreditarem que não poderiam viver sem “isso” ou fazendo algo diferente, insistem e vencem. O que de fato diferencia essas pessoas?
Temos aqui outra preciosa lição a ser aprendida. É a nossa resposta, se ação ou reação, que realmente faz diferença no final. Quando reagimos, partimos dos estímulos, e não das nossas convicções. Somos levados na enxurrada de emoções que esses estímulos facultam e a nossa estrutura interior é alterada para responder a esses estímulos. E quase sempre respondemos erradamente, porque partimos não das nossas convicções interiores, mas dos estímulos exteriores.
Porém, quando agimos, partimos do que somos e não do que esses estímulos instam para que o sejamos, e mantemos o senso de equilíbrio interior. Em função de sabermos o que somos e quais convicções próprias temos, recusamo-nos a retribuir injustiça com malevolência, ou incivilidade com maledicência; vencemos o mal com o bem e, assim, nos mantemos senhores de nossa própria conduta.
Fico a pensar sobre o que aconteceria se Jesus tivesse assimilado passivamente a rejeição e dado ouvidos às críticas injustas que recebeu? Onde estaríamos e para onde andaria a humanidade? Jesus foi rejeitado por Seus compatriotas porque estes não achavam que Ele tivesse instrução adequada ou que fosse de “boa família”. Mesmo tendo falado a verdade de forma poderosa e irrefutável, mesmo Suas obras maravilhosas tendo falado por si mesmas, Ele não recebeu o devido reconhecimento. Pedro pediu que Ele desistisse, os fariseus tentaram pará-lo, os romanos o prenderam e o condenaram. Mas Ele seguiu em frente, enfrentando todo tipo de injustiça e a morte. Por fim, Ele ressuscitou, venceu a morte, tendo realizado assim uma eterna salvação para todos aqueles que creem em Seu nome.
       Portanto, agora é hora de levantar a cabeça e seguir em frente. Força Brasil! Avante brasileiros! Portanto, viva os seus sonhos, lute por eles! Nunca desista, faça a sua parte e seja um vencedor! E que Deus nos abençoe!
 
Samuel Câmara
Pastor da Assembleia de Deus em Belém



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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

O tudo ou nada da vida

 
 
 
Agora que a Copa do Mundo entrou na fase mais difícil, conhecida como mata-mata, ou simplesmente eliminatória, cada partida tem de ter o seu vencedor. Se no tempo regulamentar houver empate, parte-se para a prorrogação; e se persistir o empate, as equipes se enfrentam nas penalidades. Tem de haver um vencedor, um único vencedor, até a partida final. Quem ganha, vibra e celebra; quem perde, lamenta e chora. E será assim até que conheçamos a seleção Campeã do Mundo.
Não existe lugar para erros, pois qualquer vacilo, por menor que seja, pode selar a derrota definitiva de uma equipe, não importa o quanto seja melhor do que a outra, ou mesmo se tinha maior volume de jogo, nem se merecia ganhar. É assim na Copa. E a vida tem lá suas semelhanças, quanto temos de lutar contra coisas e circunstâncias à nossa volta.
O certo é que gostamos de ganhar, não importa o quanto nos custe. Mas nem sempre acertamos tudo, às vezes não “jogamos” segundo as regras; nem sempre superamos os obstáculos, às vezes não acertamos o alvo. As nossas escolhas nem sempre são as melhores, e descobrimos que, na vida, existe também o seu tudo ou nada.
Na maioria das vezes, porém, temos de lutar na arena da nossa própria alma, contra as animalidades do nosso caráter, contra as inclinações pecaminosas da nossa natureza caída. E, acima de tudo, temos também de fazer a coisa certa. Algo semelhante a ganhar o sorteio de uma “compra-maluca” em um supermercado – onde tudo é grátis! O ganhador tem uns poucos minutos para pegar o máximo de mercadorias possível. Esgotado o tempo, os itens são contados, e o preço, totalizado.
Suponhamos que, ao começar a marcação do tempo, a pessoa tenha ido direto para os produtos mais caros. Podemos deduzir, então, que ela traçou uma estratégia cuidadosa e sabia exatamente o que queria. Agora, suponhamos que tenha enchido o carrinho com produtos inúteis, por exemplo, caixas vazias de mostruário. O que diriam? “Quanta tolice! Por que não pegou o que era mais caro?”
É exatamente essa imagem que brota para o nosso tempo com a descrição que o profeta Jeremias fez do povo de Israel em sua relação com Deus, muitos séculos atrás. Segundo o profeta, o povo passou os dias acumulando coisas vazias e inúteis. Ou seja: “trocou a sua Glória por aquilo que é de nenhum proveito” (Jr 2.11). Em outras palavras, eles se afastaram de Deus, a fonte de todo o bem, para confiarem em objetos sem nenhum valor.
Jeremias estava se referindo ao fato de Israel abandonar o Senhor e passar a confiar em ídolos que não veem, não falam e nada podem fazer. Isto era para ser motivo de espanto nos céus, diz o profeta: “Espantai-vos disto, ó céus, e horrorizai-vos! Ficai estupefatos, diz o Senhor. Porque dois males cometeu o meu povo: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas” (Jr 2.12-13).
Não precisamos voltar tanto na história para constatar que grande tolice é essa atitude. Causa preocupação o fato de não poucas pessoas, ainda hoje, fazerem as mesmas coisas condenadas pelo antigo profeta. São pessoas que agem “como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro” (Ef 4.14). Basta surgir um modismo, uma “pirotecnia” com algum verniz teológico, e lá se vão eles. São como competidores que enchem o carrinho com coisas que não têm nenhum proveito. Ou como jogadores que ganham a Copa da futilidade.
Em vez de colocarem sua confiança no Senhor, confiam no que diz o enganador. Nem se dão conta se sua mensagem está fora de contexto ou em flagrante contradição com a Palavra de Deus. Em lugar de exercerem a fé no que Deus diz, praticam a fé na fé; ou seja: fé em coisas e pessoas, fé em métodos, fé no que podem fazer.
Quando as pessoas são instruídas a confiar em coisas e métodos, elas estão sendo levadas simplesmente à prática religiosa, que diante de Deus não tem nenhum proveito. Usar sal grosso para espantar mau-olhado, colocar um copo de água sobre rádio ou televisão para receber cura, utilizar colete para expulsar encosto, dar dinheiro para receber bênçãos, entre outros, é exercer fé na fé; é prática religiosa. Ao participarem de correntes e campanhas agem como quem tenta vencer Deus pelo cansaço. Isso nada tem a ver com o Evangelho ou com os princípios da fé, conforme expressos nas Escrituras. São apenas escolhas religiosas.
Vejo com pesar muitas pessoas frustradas e machucadas, sentindo-se infelizes porque, mesmo tendo feito tudo, a sua fé parece não funcionar. Vejo muitos espiritualmente esgotados, cansados da própria fé, com medo de confiar em Deus. Como resultado, pesa-lhes ainda a autoacusação contínua de que não creram como deveriam ou que a sua fé é insignificante.
As águas barrentas dessa neo-teologia dos “ganhadores de nada” não satisfazem a sede. A esses, serve o que Jesus diz: “Quem beber desta água tornará a ter sede; aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna” (Jo 4.13-14).
No tudo ou nada da vida, aprenda a confiar somente na Palavra de Deus, pois só assim poderá dizer: “Tudo posso naquele que me fortalece”.
 
 
Samuel Câmara
Pastor da Assembleia de Deus em Belém






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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Vergonha pra que te quero...

 
 
 
A Copa do Mundo está em pleno andamento e as previsões catastróficas sob o epíteto do “Imagina na Copa” não se confirmaram. As manifestações contrárias, até agora, foram pífias. E os ensaios de quem desejaria desabafar com o despudorado “tenho vergonha de ser brasileiro” não encontrou ainda o seu respaldo nem audiência que o valha. Os turistas, que muitos esperavam passar pitos de reclamações bem fundamentadas pelos maus serviços públicos disponíveis, esses parecem não ligar e se mostram até mesmo mais alegres que os anfitriões brasileiros.
Nada disso, porém, faz desaparecer os problemas por demais conhecidos, nem exime as autoridades de suas responsabilidades, tampouco esvanece a justeza das reclamações emanadas do povo contra a incompetência das autoridades públicas diante dos problemas nacionais. Ademais, jamais deverá obscurecer a capacidade virtuosa de colocar a nossa vergonha na cara a serviço de alguma coisa boa e proveitosa.
Se o Brasil ganhar a Copa, sua vergonha diminuirá de importância? Se perder, aumentará? Se você não liga, deveria pelo menos questionar a motivação da sua propalada vergonha. Isto porque vergonha na cara não é somente um artigo raro, é também inerente aos cidadãos de bem. 
Na opinião de Capistrano de Abreu, a Constituição Federal deveria conter apenas dois artigos. Primeiro: “Todo brasileiro deve ter vergonha na cara”. Segundo: “Revogam-se as disposições em contrário.” Mas pergunta-se: Vergonha para quê?
Rui Barbosa, em discurso no Senado Federal, em 17 de dezembro de 1914, declarou: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”.
Rui Barbosa fez este desabafo ao defender o requerimento sobre uma chacina de presos conhecida como “Caso Satélite”. A impunidade dos assassinos confessos, depois de quase quatro anos decorridos do crime, o motivou a fazer esse inflamado discurso. O que tinha de observação do cotidiano, seu discurso tinha também de profético. Pois ainda hoje, decorrido quase um século, a impunidade no Brasil perdura e recrudesce. Isso não e novidade, é apenas o reflexo da continuidade do triunfo das nulidades, da prosperidade da desonra, do crescimento da injustiça e do agigantamento do poder nas mãos dos maus.
Essa total inversão de valores não seria, hoje, o princípio que subjaz nos famigerados casos de corrupção no Congresso Nacional? Ora, não estaria isso também entranhado em outros setores da vida nacional?
Quando homens públicos procedem na contramão da honra, agem como quem acredita que não é o cachorro que abana o rabo, mas o rabo abana o cachorro. Felizmente a sociedade tem instrumentos para reciclar-se e fazer incisões eleitoralmente cirúrgicas para extirpar esses “apêndices” supurados de sem-vergonhice.
Mas esse não é o problema maior, que são os danos que suas posturas despudoradas e infames causam nas pessoas de bem, as que são interiormente susceptíveis de desânimo crônico.
O desânimo quanto ao exercício da virtude faz com que cidadãos, incapazes de sujar suas casas, joguem lixo nas ruas; faz com que cidadãos, incapazes de furar uma fila de banco, permitam-se a levar vantagem e passar na frente dos carros que estão enfileirados num retorno de pista única; faz com que cidadãos, mesmo tratando bem seus pais e filhos, não estendem o mesmo tratamento a velhos e crianças desconhecidos — antes, não lhes dão o lugar num coletivo lotado, não lhes cedem seu lugar na fila, não lhes dão prioridade na passagem de um cruzamento.
O mau exemplo é contagioso. Um atleta famoso, pelo simples desejo de ganhar mais dinheiro, se torna garoto propaganda de bebida alcoólica. É lícito, mas não convém. Pois fatalmente será responsável pelo descaminho de tantos garotos que, mirando-se no seu anunciado “exemplo”, no máximo se transformarão em bêbados contumazes.
A despeito de qualquer coisa errada ou fora de lugar, não desista nem desanime da virtude. Ainda que debochem de quem devolve o dinheiro achado, continue fazendo a coisa certa; ainda há quem devolva. Ainda que desdenhem de alguém ser gentil com uma mulher e abrir-lhe a porta do carro, mantenha a sua educação; ainda há que abra portas para mulheres. Ainda que desdenhem de quem é honesto e não se vende, mantenha a esperança; ainda há pessoas que não têm preço. Ainda que filhos ingratos desrespeitem e não honrem os próprios pais, seja fiel em cumprir o mandamento de Deus; ainda há quem o faça. 
Honestidade é virtude, mas é também obrigação. Por isso, não tenha vergonha de ser honesto, pois é seu dever. Tenha, antes, vergonha dos desonestos. Quem sabe, um dia se toquem de que o tempo deles passou, pois a própria História os varrerá para debaixo do tapete de suas insignificâncias.
Não tenha vergonha de pertencer à Igreja de Jesus, tenha antes vergonha daqueles que, semeando divisão e motivados pelo desejo de dominação do rebanho de Deus, envergonham a Cristo.
Constantemente lê-se sobre algum cidadão dizendo-se com “vergonha de ser brasileiro”. Mas não tenha vergonha de ser brasileiro; tenha, antes, vergonha dos brasileiros que não têm vergonha na cara.
 
 
Samuel Câmara
Pastor da Assembleia de Deus em Belém


sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Quando ninguém mais está olhando

 
 
 
Há muitos que acreditam que as pessoas, em geral, são moralmente boas, mesmo sem correr o risco de punição se não o forem. Esses humanistas podem ser chamados de discípulos tardios de Sócrates, que ensinava tal doutrina. O filósofo Platão, embora se considerasse discípulo de Sócrates, em seu livro A República apresenta uma contra-argumentação que um suposto aluno de nome Glauco fizera em resposta a esse aspecto da moral. Para tal discordância filosófica Platão deu o título de O Anel de Gyges.
Gyges, o personagem principal dessa história, era um pastor de ovelhas a serviço do rei Candaules de Lydia. Após um terremoto, Gyges encontra uma caverna na montanha, onde havia um túmulo com um cadáver que usava um anel. Quando coloca o anel em seu próprio dedo, Gyges percebe que o anel o torna invisível. Gyges arranja então para ser escolhido como funcionário da corte e usa o seu poder de invisibilidade para seduzir a rainha. Com a ajuda desta, assassina o rei e torna-se ele próprio rei de Lydia, além de praticar de travessuras infantis a crimes medonhos.
Platão usa a fábula de Glauco como um condão filosófico para levantar uma importante questão moral, posta desta forma: sem ninguém para monitorar o seu comportamento, quem seria capaz de resistir à tentação do mal? Se soubesse que seus atos não seriam testemunhados, você respeitaria a dignidade do outro, sua intimidade, seus segredos, sua liberdade, sua propriedade, sua vida? Portanto, como você procede quando ninguém está olhando?
Os discípulos de Gyges estão em toda parte, pois quando ninguém está olhando, muitas coisas acontecem que fazem abalar os pilares da moralidade e da ética.
Quando ninguém está olhando... Deputados e senadores se aproveitam e usam indiscriminadamente jatos da Força Aérea para suas viagens particulares... Parlamentares são comprados para facilitar a aprovação de matérias que favorecem o governo... Funcionários públicos recebem propina para facilitar a escolha de empresas em licitação marcada... Obras públicas cujas licitações foram aprovadas por valores mínimos de mercado recebem inúmeros aditivos e se tornam dez vezes mais caras... É comprada uma refinaria americana com um ágio de mais de oitocentos por cento em relação ao preço de venda de um ano antes, isso se transforma depois num prejuízo bilionário, e ainda tem gente no governo dizendo que foi um bom negócio.
Quando ninguém está olhando... Um membro do Conselho de Ética do PT faz ameaças de morte ao Presidente do Supremo Tribunal Federal julgando-se protegido pelo anonimato da internet... O cidadão comum oferece suborno a um guarda de trânsito para escapar de uma multa... Alunos relapsos e preguiçosos que se julgam “espertos” compram gabaritos de provas de concursos vestibulares... Juízes e parlamentares nepotistas burlam a lei ao fazerem o cruzamento de contratação de seus parentes... Policiais corruptos aterrorizam e matam algum desafeto... Religioso pedófilo abusa sexualmente de menores que deveria proteger.
Algum desses personagens faria as mesmas coisas se soubesse que seria apanhado? Até que ponto essa lassidão moral nas esferas superiores da liderança pode se espalhar por toda a sociedade?
De modo geral, não se pode negar que um dos incentivos para alguém infringir uma lei ou regra moral repousa na crença de que outros também a violam, ou que “todo mundo faz”. As pessoas parecem estar convencidas de que, se todo mundo age de determinada maneira, mesmo que ilegal, elas também podem. A lógica é essa: se todo mundo faz, então que mal há se eu o fizer também? O agravante é muito maior quando o mau exemplo vem de líderes que supostamente deveriam zelar pela moral e pelos bons costumes.
Por outro lado, há os que apoiam com o seu exemplo a visão socrática da vida, de que as pessoas, em geral, são boas mesmo sem correr o risco de punição se não o forem.
Por isso, quando ninguém está olhando... Taxista devolve ao usuário o pacote deixado em seu veículo... Zelador devolve uma carteira abarrotada de dinheiro a quem a perdeu... Funcionário público não se deixa subornar... Deputado vota segundo a sua consciência e faz prevalecer o decoro parlamentar... Juiz íntegro julga segundo a reta justiça... Policial correto zela pela lei e ordem... O cidadão comum faz o bem sem olhar a quem.
Andar em retidão é o dever de cada cidadão, mesmo quando ninguém está olhando. Quanto ao crente em Jesus, este sabe que deve fazer o que é certo, não para ser visto “como para agradar a homens, mas como servo de Cristo, fazendo, de coração, a vontade de Deus”; e também está ciente “de que cada um, se fizer alguma coisa boa, receberá isso outra vez do Senhor” (Ef 6.6).
Acima de tudo, porém, temos de pensar que há um Deus que tudo vê: “Porque os meus olhos estão sobre todos os seus caminhos; ninguém se esconde diante de mim, nem se encobre a sua iniquidade aos meus olhos” (Jr 16.17). “Os meus olhos procurarão os fiéis da terra, para que habitem comigo; o que anda em reto caminho, esse me servirá” (Sl 101.6).
Mesmo quando parece que ninguém mais está olhando, prossiga em fazer o bem e seja correto, pois nisso há uma grande recompensa. Faça a coisa certa!
 
 
Samuel Câmara
Pastor da Assembleia de Deus em Belém


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